terça-feira, 1 de setembro de 2015

As Grávidas e os ônibus.

Fico pensando quanta gente vai chamar de chatice e frescura esse texto, mas vamos lá.

No primeiro trimestre da gravidez toda vez que entrava em um ônibus, eu agradecia por não sentir enjoo e nem passar mal. Porque essa é normalmente a fase em que grávidas são mais afetadas pelos sintomas da gestação e não são reconhecidas como gestantes, porque a barriga não aparece. Então imagine você enjoando horrores, em um ônibus lotado e ninguém te dá um lugarzinho para sentar perto da janela. Deve ser péssimo! Ainda bem que não passei por isso!

Mas talvez por eu não ter tido esse problema no início da gestação, eu fiquei muito tranquila em relação a ‘ganhar o lugar no ônibus’. Se tinha banco eu sentava, se não tinha, ficava em pé numa boa. Algumas vezes cheguei a ceder o meu lugar para idosos e pessoas com crianças de colo.  Até que um belo dia eu aprendi –na marra- que gestante PRECISA sentar, independente de passar mal ou não. Gestante precisa sentar, principalmente, porque não tem equilíbrio e isso pode provocar um acidente.
Era uma manhã tranquila, eu e minha barriga já aparente embarcamos no ônibus – lotado- as pessoas que estavam sentadas nos olharam e automaticamente caíram em um sono profundo. “Tudo bem, afinal eu não passo mal mesmo”. Então fiquei em um cantinho me segurando, enquanto uma moça ao meu lado conversava gesticulando feliz. O ônibus entrou na BR e precisou parar bruscamente. Foi aí que a moça que gesticulava se desequilibrou para cima de mim e eu, automaticamente, me desequilibrei escada a baixo.

DOEU! Doeu a bunda, a perna, a barriga e as fortes cólicas que apareceram dias depois. Doeu tudo! Mas o que mais doeu foi escutar das pessoas que estavam sentadas (as mesmas que estavam dormindo até meio minuto atrás) a frase “Alguém ajuda, porque ela tá gravida”. Aí doeu a revolta, a indignação, o ódio mesmo!

E essa dor me acompanha até hoje quando vejo alguém dormindo em um banco preferencial. Se antes eu agradecia por não passar mal, hoje eu até gostaria de sentir enjoo só para vomitar no colo (ou até na cabeça) dessas pessoas. Eu ainda sou jovem, tenho um corpo saudável e consegui me recuperar rápido, mas e se fosse um idoso? Um tombo na escada poderia ter machucado muito um senhor ou uma senhora que possuem grandes limitações e não têm mais os mesmos movimentos. Ou então uma pessoa com uma criança de colo? Aí o tombo seria mais feio ainda.

Por isso a minha indignação não é só por mim e pelas grávidas, mas sim por todos aqueles que sofrem com essa falta de educação todos os dias. 

Se você é um usuário de transporte público, por favor, leia esse apelo: NÃO SENTE EM BANCOS PREFERENCIAIS SE VOCÊ NÃO QUER CEDER PARA ALGUÉM CONSIDERADO ‘PREFERENCIAL’.
E se você não estiver no banco preferencial e ver alguém que precise mais daquele lugar, pense que as coisas mudam e amanhã pode ser você no lugar dessa pessoa. ;)


Pequenas atitudes podem mudar o mundo. Pense nisso! 



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