Fico pensando quanta gente vai chamar de chatice e frescura
esse texto, mas vamos lá.
No primeiro trimestre da gravidez toda vez que entrava em um
ônibus, eu agradecia por não sentir enjoo e nem passar mal. Porque essa é
normalmente a fase em que grávidas são mais afetadas pelos sintomas da gestação
e não são reconhecidas como gestantes, porque a barriga não aparece. Então
imagine você enjoando horrores, em um ônibus lotado e ninguém te dá um
lugarzinho para sentar perto da janela. Deve ser péssimo! Ainda bem que não
passei por isso!
Mas talvez por eu não ter tido esse problema no início da
gestação, eu fiquei muito tranquila em relação a ‘ganhar o lugar no ônibus’. Se
tinha banco eu sentava, se não tinha, ficava em pé numa boa. Algumas vezes
cheguei a ceder o meu lugar para idosos e pessoas com crianças de colo. Até que um belo dia eu aprendi –na marra- que
gestante PRECISA sentar, independente de passar mal ou não. Gestante precisa
sentar, principalmente, porque não tem equilíbrio e isso pode provocar um
acidente.
Era uma manhã tranquila, eu e minha barriga já aparente
embarcamos no ônibus – lotado- as pessoas que estavam sentadas nos olharam e
automaticamente caíram em um sono profundo. “Tudo bem, afinal eu não passo mal
mesmo”. Então fiquei em um cantinho me segurando, enquanto uma moça ao meu lado
conversava gesticulando feliz. O ônibus entrou na BR e precisou parar
bruscamente. Foi aí que a moça que gesticulava se desequilibrou para cima de
mim e eu, automaticamente, me desequilibrei escada a baixo.
DOEU! Doeu a bunda, a perna, a barriga e as fortes cólicas
que apareceram dias depois. Doeu tudo! Mas o que mais doeu foi escutar das
pessoas que estavam sentadas (as mesmas que estavam dormindo até meio minuto
atrás) a frase “Alguém ajuda, porque ela tá gravida”. Aí doeu a revolta, a
indignação, o ódio mesmo!
E essa dor me acompanha até hoje quando vejo alguém dormindo
em um banco preferencial. Se antes eu agradecia por não passar mal, hoje eu até
gostaria de sentir enjoo só para vomitar no colo (ou até na cabeça) dessas
pessoas. Eu ainda sou jovem, tenho um corpo saudável e consegui me recuperar
rápido, mas e se fosse um idoso? Um tombo na escada poderia ter machucado muito
um senhor ou uma senhora que possuem grandes limitações e não têm mais os
mesmos movimentos. Ou então uma pessoa com uma criança de colo? Aí o tombo
seria mais feio ainda.
Por isso a minha indignação não é só por mim e pelas grávidas,
mas sim por todos aqueles que sofrem com essa falta de educação todos os dias.
Se você é um usuário de transporte público, por favor, leia esse apelo: NÃO SENTE EM BANCOS PREFERENCIAIS SE VOCÊ NÃO QUER CEDER PARA ALGUÉM CONSIDERADO ‘PREFERENCIAL’.
E se você não estiver no banco preferencial e ver alguém que
precise mais daquele lugar, pense que as coisas mudam e amanhã pode ser você no
lugar dessa pessoa. ;)
Pequenas atitudes podem mudar o mundo. Pense nisso!


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